quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Fwd: Resposta à Sra Eurides Brito: Declarações incompletas



---------- Mensagem encaminhada ----------
De: Tatianne Sousa <tati.sousa@gmail.com>
Data: 14 de fevereiro de 2010 20:23
Assunto: Fwd: Resposta à Sra Eurides Brito: Declarações incompletas
Para:




---------- Forwarded message ----------
From: Em Defesa da Educação <emdefesadaeducacao3@gmail.com>
Date: 2010/2/12
Subject: Resposta à Sra Eurides Brito: Declarações incompletas
To: TATI.SOUSA@gmail.com


Caro (a) ,

Recebemos recentemente um e-mail da Sra Eurides Brito justificando o dinheiro encontrado em sua residência. Segue uma cópia na íntegra:

 
Declarações incompletas

Ontem o jornal Folha de São Paulo enviou-me perguntas por e-mail, sobre a origem do dinheiro que a Polícia Federal encontrou na minha casa. Também por e-mail enviei as respostas. Ei-las:

Foram apreendidos 244 mil reais e 9 mil dólares?

Sim, conforme as declarações de renda anuais.

A PF já devolveu o dinheiro ou deu previsão de quando vai devolver?

O dinheiro ainda não foi devolvido, também, porque a deputada ainda não o requereu, o que deverá fazê-lo brevemente.

Qual a origem do dinheiro?

Poupança como professora titular aposentada da UnB, rendimentos como consultora e deputada, além dos rendimentos do consultório do marido dela.

Por que a deputada guarda dinheiro em casa?

Porque é hábito do marido da deputada Eurides Brito e, também, porque não é ilegal e tudo é declarado no Imposto de Renda.

Agora, conheça o que saiu na matéria da Folha de São Paulo, hoje:

"O maior volume de dinheiro foi encontrado na casa da deputada Eurides Brito (PMDB), filmada colocando dinheiro na bolsa. Ela mantinha em casa cerca de R$ 244 mil e U$ 9.000. Sua assessoria de imprensa afirma que ela guarda dinheiro em casa por 'hábito'. Diz também que declarou à Receita Federal todos os valores que guardava".

E assim caminha a humanidade.

Um abraço e até breve,

Eurides Brito

Eis a nossa resposta, e talvez a de muitos outros cidadãos insatisfeitos com tais palavras:

 
"Nobre deputada", respeite o momento pelo qual passa Brasília. Estamos de luto! A cidade reivindica o seu voto de volta, pois votamos enganados em um grupo corrupto e ordinário, do qual você, uma senhora de mais de setenta anos faz parte e, foi pilhada, enchendo a bolsa com dinheiro de propinas.
 
Esta sua carta é um deboche às leis do nosso País. Você está zombando da nossa inteligência. Escolheu um péssimo momento para brincar. A propósito, já ouviu a marcha de carnaval do PACOTÃO? Essa marchinha reflete o que nós educadores achamos de vossa excelência. Voce perdeu uma oportunidade ímpar de entrar para a história como sinônimo de educação. Vai entrar como sinônimo de corrupção, mensaleira, perseguidora, cínica, dissimulada, etc....
 
Educadores da Secretaria de Educação, vivem com o suor do próprio rosto. São trabalhadores e comprometidos com a educação. Não comungamos com pseudo-educadores corruptos e mensaleiros.
 
 

 

Em Defesa da Educação!


Fwd: Cordel do BBB



---------- Mensagem encaminhada ----------
De: Mirian <miriantavella@oi.com.br>
Data: 10 de fevereiro de 2010 11:10
Assunto: Cordel do BBB
Para: "Undisclosed-Recipient:;"@smtp2.oi.com.br


 Vê-se que a inteligência crítica popular não está totalmente sepultada, apesar dos esforços das nossas maravilhosas emissoras de televisão em emburrecer cada vez mais a população.

 Bjs.



 
 

 

 

 

 

BIG BROTHER BRASIL



Autor: Antonio Barreto,

Cordelista natural de Santa Bárbara-BA,
residente em Salvador.

Curtir o Pedro Bial
E sentir tanta alegria,
É sinal de que você
O mau-gosto aprecia.
Dá valor ao que é banal,
É preguiçoso mental
E adora baixaria.

Há muito tempo, não vejo
Um programa tão "fuleiro",
Produzido pela Globo,
Visando Ibope e dinheiro,
Que, além de alienar,
Vai por certo atrofiar
A mente do brasileiro.

Me refiro ao brasileiro,
Que está em formação
E precisa evoluir,
Através da Educação.
Mas se torna um refém
Iletrado, "zé-ninguém"
Um escravo da ilusão.

Em frente à televisão,
Lá está toda a família,
Longe da realidade,
Onde a bobagem fervilha.
Não sabendo, essa gente
Desprovida e inocente,
Desta enorme "armadilha".



Cuidado, Pedro Bial,
Chega de esculhambação.
Respeite o trabalhador
Dessa sofrida Nação.
Deixe de chamar de "heróis"
Essas 'girls" e esses "boys"
Que têm cara de bundão.

O seu pai e a sua mãe,
Querido Pedro Bial,
São verdadeiros heróis
E merecem nosso aval.
Pois tiveram que lutar,
Pra manter e te educar,
Com esforço especial.

Muitos já se sentem mal,
Com seu discurso vazio.
Pessoas inteligentes
Se enchem de calafrio,
Porque, quando você fala,
A sua palavra é bala,
A ferir o nosso brio.

Um país, como Brasil,
Carente de educação,
Precisa de gente grande
Para dar boa lição.
Mas você, na Rede Globo,
Faz esse papel de bobo,
Enganando a Nação.

Respeite, Pedro Bial,
Nosso povo brasileiro,
Que acorda de madrugada
E trabalha o dia inteiro.
Dá muito duro, anda rouco
Paga impostos, ganha pouco:
Povo HERÓI, povo guerreiro.

Enquanto a sociedade,
Neste momento atual,
Se preocupa com a crise
Econômica e social,
Você precisa entender
Que queremos aprender
Algo sério – não banal.


Esse programa da Globo
Vem nos mostrar, sem engano,
Que, tudo que ali ocorre,
Parece um zoológico humano,
Onde impera a esperteza,
A malandragem, a baixeza:
Um cenário sub-humano.

A moral e a inteligência
Não são mais valorizadas.
Os "heróis" protagonizam
Um mundo de palhaçadas,
Sem critério e sem ética,
Em que vaidade e estética
São muito mais que louvadas.

Não se vê força poética,
Nem projeto educativo.
Um mar de vulgaridade
Já tornou-se imperativo.
O que se vê realmente
É um programa deprimente,
Sem nenhum objetivo.

Talvez haja objetivo
"professor", Pedro Bial:
O que vocês estão querendo
É injetar o banal,
Deseducando o Brasil,
Nesse Big Brother vil
De lavagem cerebral.

Isso é um desserviço
Mal exemplo à juventude,
Que precisa de esperança
Educação e atitude.
Porém a mediocridade,
Unida à banalidade,
Faz com que ninguém estude.

É grande o constrangimento
De pessoas confinadas,
Num espaço luxuoso,
Curtindo todas baladas:
Corpos "belos", na piscina,
A gastar adrenalina,
Nesse mar de palhaçadas.

Se a intenção da Globo
É de nos "emburrecer",
Deixando o povo demente
Refém do seu poder,
Pois saiba que, "a exceção"
(amantes da educação),
Vai contestar a valer.

A você, Pedro Bial
Um "mercador da ilusão",
Junto à poderosa Globo,
Que conduz nossa Nação
Eu lhe peço esse favor:
Reflita, no seu labor,
E escute seu coração.

E vocês caros irmãos,
Que estão nessa cegueira,
Não façam mais ligações,
Apoiando essa besteira.
Não deem sua grana à Globo,
Isso é papel de bobo:
Fujam dessa baboseira.

E quando chegar ao fim
Desse Big Brother vil,
Que em nada contribui
Para o povo varonil,
Ninguém vai sentir saudade:
Quem lucra é a sociedade
Do nosso querido Brasil.

E saiba, caro leitor,
Que nós somos os culpados,
Porque, saem do nosso bolso,
Esses milhões desejados,
Que são ligações diárias,
Bastante desnecessárias,
Pra esses desocupados.

A loja do BBB,
Vendendo só porcaria,
Enganando muita gente,
Que logo se contagia
Com tanta futilidade,
Um mar de vulgaridade
Que nunca terá valia.

Chega de vulgaridade
E apelo sexual.
Não somos só futebol,
baixaria e carnaval.
Queremos Educação
E também evolução
No mundo espiritual.

Cadê a cidadania
Dos nossos educadores
Dos alunos, dos políticos
Poetas, trabalhadores?
Seremos sempre enganados
e vamos ficar calados
diante de enganadores?

Barreto termina assim
Alertando ao Bial:
Reveja logo esse equívoco,
Reaja à força do mal…
Eleve o seu coração,
Tomando uma decisão
Ou então: siga, animal…

FIM

Salvador, 16 de janeiro de 2010. 

 

 

 

 

 

terça-feira, 30 de junho de 2009

Poesia Cantada e Encantada

APRESENTAÇÃO INSPIRADORA DO PROFESSOR-POETA-ARTISTA-CORDELISTA: LUCAROCAS
REALIZADA EM UM DIA MUITO ESPECIAL E DE MUITA APRENDIZAGEM NA TERRA DO SOL


Formação Continuada

ENSINAR E APRENDER
Lucarocas

Ensinar e aprender
Seguem a mesma direção
Quem ensina pode ver
O valor de uma lição
E aquele que aprende
Com certeza então se rende
A força da educação.

Quem vive para ensinar
Ensina sempre a viver
E aprende a caminhar
Nas trilhas do conhecer
E pensando que ensina
De certo mesmo se afina
Na lição de aprender.

Pois aprender e ensinar
São pares de um só caminho
E quem bem quer caminhar
Nunca vai seguir sozinho
E ensinar e aprender
São pássaros que vão viver
No pouso de mesmo ninho.

Por isso quem é professor
É também um aprendiz
Que deve se dar o valor
No seguir da diretriz
E nessa luta constante
Ser professor estudante
Muito brilhante e feliz.



quarta-feira, 24 de junho de 2009

De olhos bem abertos...Para a Educação


Ser Professora é amar...

Ser professora, sempre foi um desejo em meu coração.
Desde criança, me imaginava em uma sala de aula,
idolatrava meus professores, amava estudar.
O tempo passou, "professora", hoje, eu sou.
E o amor a educação só brotou e se transformou
numa grande realização.


Dedicado aos meus alunos da 7a. série D do CEF 801


Professora Erla Delane

domingo, 5 de abril de 2009

PROJETO "NÃO AO PRECONCEITO, SIM A VARIAÇÃO" DO CEF 801


Esse ano está sendo muito especial, para mim, retomei meu trabalho em salas de aulas de 7as. e 8as. séries do CEF 801, escola em que trabalhei de 2006 a 2008. Escola que se torna especial, por sua história, estrutura e ótimos resultados em Educação de Qualidade. Um lugar onde a Educação acontece com muito compromisso. Após um ano afastada para atuar no Curso de Formação Continuada de Professores ALFABETIZAÇÃO E LINGUAGENS retorno ao CEF 801 para aplicar pedagogicamente o aprendizado do ALFA. O Projeto "Não ao Preconceito, Sim à Variação" é o início da transposição didática desse curso que tanto acrescentou à minha vida e de tantos professores que estiveram envolvidos nessa formação em 2008.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Resenha do Filme Desmundo


Mais uma vez tem-se uma significativa contribuição da literatura para a história tradicional, que nem sempre consegue revelar com riqueza de detalhes aspectos dessa história. O filme Desmundo (2003), de Alain Fresnot, homônimo da obra de Ana Miranda, retrata a realidade do Brasil de 1570. Nessa época, desbravadores portugueses tinham a missão de explorar a recente descoberta, dominar o povo gentio e estabelecer produção. O filme explora várias questões acerca do contexto da época como(linguagem, religiosidade, sexualidade, obediência, fidelidade), que serão focalizadas, principalmente, na narrativa da personagem Oribela, uma das órfãs que são trazidas de Portugal numa caravela, enviadas pela rainha de Portugal, com o objetivo de se casarem com os cristãos portugueses que ali se encontravam. Através dessa personagem nos deparamos com o universo da existência feminina, da religiosidade, do amor, da sexualidade. Todos esses sentimentos estão arraigados na personalidade dela e nos permite conhecer as estruturas mentais construídas culturalmente à época, uma vez que a sua voz ressoa outras tantas vozes, que por sua vez reproduzem os discursos normativos e impositivos da época, seja da igreja, seja da sociedade patriarcal. A mulher deveria ser obediente a seus esposos sem apresentar qualquer tipo de comportamento desaprovável, do contrário era justificado o uso de “corretivos” ,que envolviam certos rituais com o corpo como: nunca mais deixar o cabelo solto, mas sempre atado, seja com turbante, seja trançado, não morder o beiço, afora outras atitudes que submetiam a mulher a uma verdadeira humilhação e abdicação de suas vontades e opiniões. Não mais a mulher tem domínio sobre o seu corpo e tudo que ela deve fazer tem que estar em acordo com os desejos do marido. Essas atitudes encontraram assente no discurso religioso, que determinava como deveria ser o papel feminino na sociedade, discurso esse que se tece com outros discursos similares na história. Domesticar a mulher, privando-a de qualquer liberdade era uma maneira de o homem não sofrer ameaças. A própria Oribela internaliza e reproduz as vozes do discurso religioso, de Francisco, da velha e de tantos outros a revelarem como ela deveria se comportar. Nota-se, entretanto, um profundo embate entre o que ela ouvia e aquilo que se recusava a aceitar. A passagem em que a Velha prepara as jovens para o casamento próximo, ditando as cautelas que devem tomar e como serão suas vidas a partir de então, revelando o aspecto atemporal daquelas circunstâncias faz com que Oribela revolte-se diante de tantas interdições a que seria submetida. Prostar-se em oração com os joelhos sobre milhos, ferindo-os até sangrar, configura-se como uma penitência poderia livrá-la do purgatório eterno. Outro traço bastante marcante no filme diz respeito à questão da linguagem e as representações figurativas que nele são estabelecidas. Em Desmundo a linguagem tem papel representativo nos discursos que aparecem na história. Ela revela, por parte de quem as usa, as posturas impositivas, audaciosas, resignadas, reveladoras que acontece à época. Para isso recorre-se ao léxico, com o uso de palavras dicionarizadas ou não, como no caso de Oribela, para revelar a situação “sem norte” em que a personagem se encontra. O uso do prefixo de negação “des” na formação de palavras como “Desmundo”; “desrumo”, que não fazem parte da língua oficial , e outras, como em “despejado lugar”, terras desabafadas, “desventura” demonstram o caráter “purgatório” daquele lugar. Esse fenômeno lingüístico leva a se estabelecer comparação ao que Guimarães Rosa ilustra em suas obras, ao utilizar as palavras nem sempre dicionarizadas, mas que criam significância na realidade, de acordo com o uso que se quer fazer delas. Outro aspecto interessante em relação à linguagem diz respeito ao uso de metáforas e de antíteses no romance. O simbolismo que tem algumas passagens como “O dobrar ou não os joelhos (membro do corpo) pode revelar a autoridade sobre o corpo, mas não sobre a alma e o coração; estes não se dobram e não se permitem ser domesticados ou desvendados. Esta metáfora nos posiciona em dois aspectos relativos à mulher que deveriam ser domesticados: a alma e o corpo. As antíteses são outro recurso de que faz uso Ana Miranda semelhantemente à Guimarães Rosa, o contraditório surge em mundo X Desmundo; boas mulheres X putas e regateiras (o próprio ‘desmundo’ contraditória à idéia de “mundo” ) e “torna inevitável a comparação com os protótipos de mulher da época estabelecidos pela sociedade colonial: o da santa mãezinha e o de mulher sem qualidades e que tanto ameaçou o projeto de colonização.” Convém falar sobre a mescla de tantas variedades lingüísticas em terras brasileiras no período e que revela a existência de várias culturas no país e estabelece, também, conflitos sociais como a tentativa de aproximação entre esses mundos. Apesar de aparecerem alguns termos indígenas no filme, eles se restringem à tentativa de comunicação entre Temericô e Oribela e nos revela o choque entre as culturas, que são desiguais, onde o dominador prevalece e expurga o dominado, como se pode constatar hoje, com o desaparecimento de inúmeras línguas indígenas.



Resenha de autoria da Cursista_ Francisca da Chagas Gabriel da Silva da DRE- RE

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Raízes do Brasil_ Um retrato da Colonização e suas Heranças



Os fundamentos da formação histórica do brasileiro se encontram em suas diversas acepções na obra de SBH, Raízes do Brasil (1936). Esse processo, cujas conseqüências evidenciam-se na tentativa de implantar uma cultura européia, no Brasil colônia, foi mais devastador do que se imagina.
Partindo da idéia de cultura, que etimologicamente seria um conceito derivado de natureza, (Eagleton, 1943) vê-se a razão do título da obra “Raízes do Brasil” de onde brotam as bases de nossa cultura instintiva na negação da cultura encontrada pelos colonizadores. Historicamente associada a uma atividade, cultura de colere (latim), denotava qualquer coisa, desde cultivar e habitar a adorar e proteger. Sem este significado “habitar” evolui do latim colonus para o contemporâneo “colonialismo” de modo que o início de uma cultura se dá no momento da habitação de uma terra.
O Brasil já habitado, no séc. XVI, passou por um processo de “desculturação” com a imposição de uma cultura européia, totalmente avessa a tradição indígena já instituída milenarmente.
Na tentativa de ser fiel a dicotomia instituída em toda obra de SBH, será estabelecido, inicialmente, um diálogo entre Raízes do Brasil e Desmundo, filme de Alain Fresnot (2003), que também traz imagens fascinantes e fiéis do Brasil-Colônia em suas “raízes”. Esse diálogo será abandonado tão logo se avance ao séc. XVII e a realidade social do país trazida por SBH. O filme é ambientado no Brasil – Colônia (1570) e a essa época se limita à obra de Alain Fresnot, impedindo que avance junto a análise do livro.
As características ibéricas da metrópole herdadas e plantadas no Brasil - Colônia, que explicam fenômenos comportamentais do brasileiro atualmente, como a forte ausência do principio de hierarquia a exaltação do prestígio pessoal com relação ao privilégio e a repulsa pelo trabalho regular.
A colonização do Brasil se deu pelo homem aventureiro, espanhóis, portugueses e ingleses, sentido este da palavra ‘aventureiro’, aquele que busca novas experiências, acomoda-se no provisório e prefere descobrir a consolidar.
A adaptabilidade do português em meio ao desleixo e certo abandono há presença desse espírito aventureiro no filme Desmundo. A escravidão e o trabalho forçado dos índios são demonstradores da oposição do Português ao trabalho físico. Há ausência de valores e princípios, mesmo religiosos, presentes no filme e aqui tratado por SBH como tradicionalismo cultural. há sede de exploração da terra sem grandes esforços. Há ausência de técnica de lavoura sendo um sinal de atraso frente à busca pela riqueza como bem o cita SBH “O que o português vinha buscar, era sem dúvida, a riqueza, mas riqueza que custa ousadia, não riqueza que custa trabalho” (in pag. 49).
Foi justamente aqui que acharam, ao desbravar o nordeste brasileiro, terra de boa qualidade e propícia para a lavoura da cana-de-açúcar, sem esforços, o problema do trabalho resolveu-se com a escravidão do negro após frustrada tentativa de domesticação do indígena.
SBH refere-se também a uma possibilidade de colonização holandesa, no Brasil, que em oposição aos portugueses tinham espírito de empreendimento metódico e coordenado e capacidade de trabalho e coesão social. Mas dentre estes foram recrutados justamente a escória holandesa para ocupar o Brasil e não possuíam intenção de criar raízes na terra, somente fugiam de perseguições em sua terra. Sendo frustrada essa instituição da “alta Europa”.
Os portugueses também possuíam uma ausência de qualquer orgulho de raça, como se vê em Desmundo, eles iniciam uma miscigenação com índios e negros, que ironicamente é combatido pela Corte Portuguesa com o envio de órfãs para desposarem os colonos. Com o objetivo de “branquear” a raça que aqui surgia, fica implícito, no filme, que essa mestiçagem era um fenômeno esporádico que só ocorria na colônia, mas segundo SBH, esse fenômeno era presente em Portugal a ponto de haverem relatos da época sobre essa intromissão de mulatos e mamelucos em grande quantidade na Metrópole.
Todos esses declínios se fixaram ao longe de nossa formação como sociedade. Tais marcas estão presentes no processo de transição do Brasil rural a urbano. Com o declínio da escravidão tenta-se moldar o país a uma democracia burguesa, que leva a economia brasileira, tipicamente escravocrata, a sua primeira crise em 1864. Em um país patriarcalista por tradição, com uma civilização de raízes rurais, as formas de vida copiadas de nações socialmente mais avançadas não encontraram sucesso.
Esse caráter patriarcalista, em que se formou o brasileiro, que foi adquirido na estrutura familiar, com berços rurais, foi tão poderoso que ao familiar era atribuído autoridade, respeitabilidade, bem como obediência e coesão entre os homens. Essa herança predominante, na vida social, e que deu origem ao “homem cordial”, deixou marcas significativas em nossa sociedade.
Esse momento de transição para o surgimento do Estado, faz renascer no brasileiro a errônea idéia de que esse modelo de relações do núcleo familiar serviria de exemplo para as relações externas. Resquícios dessa contribuição de fundo emotivo se vêem na “cordialidade do brasileiro” tão aclamada pelo estrangeiro. Em Raízes do Brasil é esclarecido que essa cordialidade aparente está longe de significar civilidade sendo simplesmente uma “máscara” contra o Rito Social. Como bem o cita Antônio Candido (1967) “O homem cordial não pressupõe bondade, mas somente o predomínio dos comportamentos de aparência afetiva, inclusive suas manifestações externas, não necessariamente sinceras nem profundas, que se opõem aos ritualismos da polidez”.
E assim se configura a nossa sociedade brasileira, fundada em tais valores aparentes, e que permeará desde os nossos saberes intelectuais até as nossas relações de trabalho. O Brasil se configurará de profissionais liberais que, permitirão manifestos de independência individual, e de saberes de fachada. Dando origem ao nosso exibicionismo, improvisação e a falta de aplicação seguida, esta com a voga do positivismo no Brasil.
Nesse ponto, SBH torna sua obra de uma atualidade impressionante, já em 1936, ele aponta a “nossa revolução” iniciada com o processo de dissolução da velha sociedade agrária, como uma forma de liquidar o passado, adotar o ritmo urbano e propiciar a emergência das camadas oprimidas da população, únicas com a capacidade para revitalizar a sociedade e dar um novo sentido à sociedade brasileira.
Esse Livro é um dos estudos mais relevantes com uma das melhores abordagens da história social do Brasil-colônia até os dias de hoje. Revela-nos às nossas origens e as heranças presentes em nossa sociedade. È assim uma visão ampliada da formação dos nossos problemas atuais.

Erla Delane